Museu Mariano Procópio em Juiz de Fora

Museu Mariano Procópio em Juiz de Fora
Um cavalheiro. Assim era reconhecido aquele homem que circulava elegantemente pelas ruas da cidade de Juiz de Fora no início do século XX, sempre com roupas clássicas, escuras, de chapéu e bengala. Seus passos lentos e decididos se identificavam com a própria tranqüilidade das ruas, sob o balanço dos bondes, das carroças e dos primeiros carros. Entre um passante e outro, o cumprimento tradicional da retirada do chapéu e de uma palavra de cortesia. Assim era o cidadão juizforano Alfredo Ferreira Lage, advogado formado pela Faculdade de Direito de São Paulo; jornalista e diretor secretário de ”O Pharol“; membro do Instituto Geográfico Nacional; construtor do Teatro Novelli; fundador da Sociedade Anônima Academia de Comércio; e vereador em um tempo onde a Câmara Municipal administrava a cidade e seus componentes não recebiam salário.

Rico, bon vivant, culto, viajado, Alfredo Ferreira Lage era um cidadão cultuado por todos que o conheciam. Seus amigos de faculdade diziam que ele era ”uma presença marcante, porque era diferente de todos, estudioso, delicado, gentil, sempre pronto a ajudar os outros“. Tantos adjetivos serviam para externar a gratidão dos moradores de Juiz de Fora àquele homem que, num gesto de grandeza, doaria para a cidade, em 29 de fevereiro de 1936, o Museu Mariano Procópio, com todo seu acervo, além do parque que circunda a ”Villa“, com suas centenárias árvores, seu lago, suas ilhas e pontes. Enfim, toda uma riqueza que começara a ser construída por seu pai, Mariano Procópio Ferreira Lage, o homem que abriu os caminhos de Juiz de Fora para a civilização e o comércio, com a construção da Estrada União Indústria, nos idos de 1850.

Alfredo Ferreira Lage nasceu em Juiz de Fora, no dia 10 de janeiro de 1865. Sete anos depois, com a morte do pai, foi estudar na Europa, acompanhado da mãe, Maria Amália, de onde voltaria alguns anos depois, para matricular-se na Faculdade de Direito de São Paulo. Vivendo depois no Rio de Janeiro, casado com a pintora espanhola Maria Pardos, Alfredo continuava investindo sua fortuna e seu tempo na aquisição de preciosidades minerais, enquanto participava de leilões não só no Brasil mas, principalmente, no exterior, onde adquiriu telas, jóias, indumentárias e até móveis, embriões do imenso acervo do Museu Mariano Procópio. Sua coleção foi aos poucos crescendo, gerando outras doações, vindas de personalidades como Afonso Arinos, Duque de Caxias, Viscondessa de Cavalcanti, do artista plástico Rodolfo Bernardelli, e muitos outros. As doações iam desde os objetos de uso pessoal, até peças valiosas dos períodos colonial e imperial brasileiros. Enquanto isso, Alfredo cultivava uma outra grande paixão, a fotografia, conquistando muitos prêmios em exposições internacionais, juntamente com seu irmão, Frederico Ferreira Lage.

A ”Villa“, residência de Alfredo e Maria Pardos em Juiz de Fora, já abrigava, no início do século XX, um precioso acervo, transformando a bucólica construção em um verdadeiro museu, e obrigando a ampliação do prédio, com a construção, alguns anos depois, de um ”anexo“. A ”Villa“ foi construída para abrigar a família imperial de Dom Pedro II, quando de sua vinda a Juiz de Fora para a inauguração da Estrada União Indústria. Mas não ficou pronta a tempo. Projetada e construída pelo arquiteto alemão Carlos Augusto Gambs, a mansão tem o aspecto portentoso das grandes obras da época, não dispensando os pilares e os imensos portões, além dos belos jardins, que também tiveram influência estrangeira, através do estilo inglês, que, segundo a tradição, teria sido projetado pelo francês Auguste Marie Francisque Glaziou.

Tudo isso compunha parte da então chamada ”Chácara de Mariano Procópio“, que possuía três outras grandes casas - onde está hoje a sede da Quarta Região Militar - o lago, as ilhas e o imenso parque, que se perdia de vista, alcançando até a área onde se localiza, agora, o bairro Vale do Ipê. A própria cascata, que ainda existe no Vale, servia de cenário para os passeios dos convidados de Alfredo Ferreira Lage, e o bosque, exuberante e fresco, acabou sendo chamado, naquela época, de ”Bosque das Princesas“ e ”do Imperador“. Era ali que a família imperial almoçava nos dias de calor, sendo a comida servida em imensas mesas de bambu. Assim, a ”Villa“ e seus arredores, com sua influência no estilo renascentista, assumia sua prática italiana, conhecida como ”villegiatura“, onde era costume os nobres e a burguesia buscarem alívio do calor, aproveitando a brisa fresca do alto das colinas.

Nas primeiras décadas do século XX, Alfredo Ferreira Lage estava definitivamente em Juiz de Fora, deixando sua casa no bairro das Laranjeiras, no Rio de Janeiro. Em 1915 a ”Villa“ já funcionava como museu. Ali, Alfredo e Maria Pardos recebiam os amigos. Em tardes inspiradas, enquanto aos adultos era oferecido licor e às crianças um doce de leite, Alfredo costumava promover saraus, ele mesmo na função de pianista. A bela sala de música servia então para o anfitrião revelar outro grande talento, já demonstrado em outras ocasiões, como, por exemplo, em São Paulo, quando, ainda estudante, Alfredo chegou a participar de concertos com grandes pianistas.

Sem filhos, Alfredo Ferreira Lage começou a doar seus bens à comunidade de Juiz de Fora em 31 de maio de 1934, com a entrega do Parque Mariano Procópio à Prefeitura e a abertura dos portões ao público. Entre discursos, aplausos e descerramento de placa, esta cerimônia serviu para que a cidade começasse a reconhecer as atividades ”daquele illustre e insigne amigo de Juiz de Fora“, que, segundo o entusiasmado escrivão da ata da cerimônia, ”vêm pugnando pela grandeza deste torrão“.

Mas a doação do museu, propriamente dita, só se concretizaria dois anos depois, exatamente no dia 29 de fevereiro de 1936, quando foram comunicadas ”as condições em que seria feita a doação e lavrada a escritura“. A escritura inclui seis exigências, feitas pelo próprio Alfredo Ferreira Lage. Entre elas, ”a perpetuidade da denominação ”Mariano Procópio“; a proibição de alteração em ”sua finalidade cultural“; a permanência ”das denominações atuais dadas às salas do museu“e a ”proibição perpétua de serem retirados do museu os objetos artísticos, históricos e científicos a ele incorporados“. Uma outra exigência do doador foi a questão da administração do museu e do parque. Foi assim que nasceu o ”Conselho de Amigos do Museu Mariano Procópio“.

Seu primeiro diretor foi o próprio doador, Alfredo Ferreira Lage, que, ainda segundo as exigências da escritura, exerceria ”enquanto quisesse o cargo de diretor, com dispensa de submeter suas contas ao exame do Conselho, e com direito de usufruto dos bens ora doados, para o fim de conservar a sua atual habitação no imóvel“. Alfredo só deixou a direção do museu com sua morte, em 27 de janeiro de 1944. Já então o Museu Mariano Procópio era um dos mais importantes do Brasil, com um acervo de mais de 40 mil peças, entre livros, indumentárias, jóias, moedas, medalhas, armas, móveis, pratarias, vidros, cristais, porcelanas, esculturas, pinturas, gravuras, fotografias, arte religiosa, instrumentos de suplício, animais empalhados, minerais e outras categorias. As peças refletem, em quase toda sua totalidade, as influências dos séculos XIX e princípio do século XX, seguindo, quase sempre, o gosto do fundador do Museu, Alfredo Ferreira Lage, apreciador das artes e da História do Brasil, o ”mecenas de Juiz de Fora“.
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# Posté le vendredi 06 janvier 2006 18:08

Modifié le jeudi 07 juin 2007 10:54

Em Juiz de Fora

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# Posté le vendredi 06 janvier 2006 18:05

Corcovado

Corcovado
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# Posté le vendredi 11 novembre 2005 12:15

Modifié le jeudi 07 juin 2007 10:54

Juiz de Fora

Juiz de Fora
Situada na Zona da Mata do estado de Minas Gerais, Juiz de Fora, primeiro chamada de Santo Antônio do Paraibuna, foi elevada à categoria de Vila em 1850 e seis anos depois, à de Cidade. Suas origens vinculam-se ao trânsito de tropas e tropeiros no Caminho Novo - Estrada Real que ligava a região das Minas ao Rio de Janeiro no século XVIII. Sua denominação-Juiz de Fora - remete a um funcionário da magistratura portuguesa que atuava na ausência de um juiz de direito. Um destes magistrados teria se hospedado numa fazenda na qual surgiria o povoado de Santo Antônio do Paraibuna.

A cafeicultura floresceu ao redor do núcleo urbano. Grupos sociais onginários primeiramente da região das minas e postenormente, do mercado interno mineiro, tornaram-se os grandes proprietários de terras e de escravos, construindo um dinâmico núcleo agrário-exportador cafeeiro. Juiz de Fora toma-se então o principal pólo econômico, político e social de Minas Gerais no século XIX. Até 1880, possuía todos os serviços urbanos, além de um sistema financeiro próprio, possibilitado pela fundação do Banco de Crédito Real. Em 1889 é construída a primeira Usina Hidrelétrica da América Latina, empreendimento realizado por Bernardo Mascarenhas, importante industrial da cidade.


Se nos meados do século XIX, a vida da população se movia pelo trotar dos cavalos encarregados do transporte de café até o porto do Rio de Janeiro, e mais tarde pelo apito dos trens da estrada de ferro Dom Pedro II, a cidade passa, nas primeiras décadas do século XX, a ser movida pelo apito das fábricas, O ouro verde do café transforma-se em investimentos fabns. principalmente nos setores têxtil e alimentício. Neste período a cidade chega a receber a denominação de "Manchester Mineira".


Sua população reflete a singularidade de sua formação sócio-econômica. Levas de imigrantes italianos, motivados pelo mercado de trabalho fabril e pelas férteis fazendas cafeeiras, se unem aos primeiros colonos alemães dos meados do século XX. A este grupo se unem os imigrantes portugueses e árabes, os quais, somados aos milhares de negros recém libertos, compõem uma identidade regional marcada não só pela integração e conflito, mas principalmente pela sociabilidade e solidariedade características dos mineiros.
Sua vida cultural revela traços de grande ecletismo, perceptível pelas suas manifestações arquitetônicas. Construções em estilo Art Nouveau, próprias da primeira década do século XX, se unem àquelas de estilo Art Déco, predominantes em meados do século XX, bem como às obras do arquiteto Niemeyere dos pintores Di Cavalcanti e Cândido Portinani. A criação da Universidade Federal de Juiz de Fora, na década de 1960, traz uma contribuição fundamental: além de pólo econômico, a cidade reafirma-se como maior pólo cuttural da região a congregar pessoas das cidades vizinhas e a fomentar projetos e iniciativas de desenvolvimento regional.


Nos últimos anos, a cidade retomou seu dinamismo industrial. Hoje, com uma população de aproximadamente meio milhão de habitantes, é a segunda maior cidade de Minas Gerais, caracterizada por uma excelente qualidade de vida, reconhecida e vivenciada por todos os seus habitantes.

Located at the so-called "Forest Zone" of the Minas Gerais State, the city of Juiz de Fora - first named Santo Antonio do Paraibuna - was assigned into the category of Village in 1850 and, six years later, achieved the status of City. Its origins recall the traffic of troops and troopers on the New Path - a Royal Road which connected the mines region to the Port of Rio de Janeiro in the 1 8th century. The name Juiz de Fora (which means "Outside Judge") was given after an employee of the Portuguese magistracy who practiced the Law in the absence of a Judge. One of such magistrates would have been taken as guest in a farm where later the Santo Antonio do Paraibuna village would be founded.


The coffee agriculture flourished around the urban nucleus. Social groups first originated from the mines region and, most recently, from the Minas Gerais Business Field, became great landlords and slave masters, constituting a dynamic agro-export center for coffee. In the 1 19th century, Juiz de Fora becomes the main social, political and economic center of the Minas Gerais State. In 1880, it had all urban services, besides a self-financing system, fostered by the establishment of the Royal Credit Bank. In 1889, the first hydroelectrical plant of Latin America was built there.
While in the mid-19th century the population's life was moved by the trot of horses in charge of transporting coffee to the Port of Rio de Janeiro, and later by the whistle of trains on the Dom Pedro II railroad; In the first decades of the 20th century the city begins to be moved by the whistle of factories. The "green gold" - as the coffee was known - was substituted by industrial investments, particularly in the textile and food sectors. In that period, the city was even called the "Manchester of Minas Gerais".


Its population reflects the singularity of its socio-economic formation. Loads of Italian immigrants, attracted by the industrial working field and by the fertile coffee farms, join the first German colonists in the mid-20th century. Portuguese and Arabic immigrants also become part of such group which, in addition to the thousands of just-freed black ex-slaves, compose a regional identity marked not only by integration and conflict, but also by the characteristic sociability and solidarity of the Minas Gerais people.


The cultural life of Juiz de Fora is marked by great eclecticism, which can be perceived in its architectural manifestations. Art Nouveau constructions dating from the first decade of the 20th century are followed by those in Art Déco style from the mid-20th century, as well as the architectural art works by Niemeyer. It is also the homeland of famous artists such as Di Cavalcanti and Candido Portinan. The establishment of the Federal University of Juiz de Fora in the 1 960s made a fundamental contribution to the city: besides being an economic center, the city reaffirms its status of greatest cultural center of the region, gathering people from neighbor cities and encouraging regional development initiatives.


In the last few years, the city resumed its industrial dynamism and, today, with a population of approximately 500,000 inhabitants, is the second largest city of the state of Minas Gerais, characterized by an excellent life quality standard, recognized and experienced by its inhabitants.
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# Posté le vendredi 28 octobre 2005 11:10

Modifié le samedi 12 novembre 2005 13:43

Mariana (São Pedro de Clérigos)

Mariana (São Pedro de Clérigos)
La Cathédrale São Pedro de Clérigos, à Mariana. La rébellion de l'Inconfidência Mineira fut étouffée dans l'oeuf par les agents de la couronne. Gonzagua fut exilé au Mozambique, Costa emprisonné. Tiradentes, le seul à n'avoir pas nié son rôle dans la conspiration, fut abandonné de ses amis, jeté au cachot sans procès pendant trois ans, puis écartelé.
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# Posté le vendredi 28 octobre 2005 11:07

Modifié le samedi 03 décembre 2005 19:39